quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

O JEJUM



Acerca do Jejum
 
O jejum é a abstinência total ou parcial de alimentos por um período definido e propósito específico. Tem sido praticado pela humanidade em praticamente todas as épocas, nações, culturas e religiões. Pode ser com finalidade espiritual ou até mesmo medicinal, visto que o jejum traz tremendos benefícios físicos com a desintoxicação que produz no corpo.
Mas nosso enfoque é o jejum bíblico. Muitos cristãos hoje desconhecem o que a Bíblia diz acerca do jejum. Ou receberam um ensino distorcido ou não receberam ensinamento algum sobre este assunto.
Creio que a Igreja de hoje vive dividida entre dois extremos: aqueles que não dão valor algum ao jejum e aqueles que se excedem em suas ênfases sobre ele. Penso que Deus queira despertar-nos para a compreensão e prática deste princípio que, sem dúvida, é uma arma poderosa para o cristão.
Não há regras fixas na Bíblia sobre quando jejuar ou qual tipo de jejum praticar, isto é algo pessoal. Mas a prática do jejum, além de ser recomendação bíblica, traz consigo alguns princípios que devem ser entendidos e seguidos.

1) A BÍBLIA ORDENA O JEJUM ?

Não. No Velho Testamento, na lei de Moisés, os judeus tinham um único dia de jejum instituído: o do Dia da Expiação (Lv.23:27), que também ficou conhecido como "o dia do jejum" (Jr.36:6) e ao qual Paulo se referiu como "o jejum" (At.27:9). Mas em todo o Velho e Novo Testamento não há uma única ordem acerca de jejuarmos.
Contudo, apesar de não haver um imperativo acerca desta prática, a Bíblia esta cheia de menções ao jejum. Fala não apenas de pessoas que jejuaram e da forma como o fizeram, mas infere que nós também jejuaríamos e nos instrui na forma correta de faze-lo.
Muitos ensinadores falharam de maneira grave ao dizer que, por não haver nenhuma ordem específica para o jejum, então não devemos jejuar. Mas quando consideramos o ensino de Jesus sobre o jejum, não há como negar que o Mestre esperava que jejuássemos:
"Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuardes, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará." (Mt.6:16-18).
Embora Jesus não esteja mandando jejuar, suas palavras revelam que ele esperava de nós esta prática. Ele nos instruiu até na motivação correta que se deve ter ao jejuar. E quando disse que o Pai recompensaria a atitude correta do jejum, nos mostrou que tal prática produz resultados!
Algumas pessoas dizem que se as epístolas não dizem nada sobre jejuar é porque não é importante, e desprezam o ensino de Jesus sobre o jejum. Isto é errado! Jesus não veio ensinar os judeus a viverem bem a Velha Aliança, Ele veio instituir a Nova Aliança, e todos os seus ensinos apontavam para as práticas dos cidadãos do reino de Deus.

Quando estava para ser assunto ao céu, deu ordem aos seus apóstolos que ensinassem as pessoas a guardar TUDO o que Ele tinha ordenado (Mt.28:20), inclusive o modo correto de jejuar!
O próprio Jesus praticou o jejum, e lemos em Atos que os líderes da Igreja também o faziam. Registros históricos dos pais da igreja também revelam que o jejum continuou sendo observado como prática dos crentes muito tempo depois dos apóstolos. O jejum, portanto, deve ser parte de nossas vidas e praticado de forma equilibrada, dentro do ensino bíblico.
Embora o próprio Senhor Jesus tenha jejuado por quarenta dias e quarenta noites no deserto, e muitas vezes ficava sem comer (quer por falta de tempo ministrando ao povo - Mc.6:31, quer por passar as noites só orando sem comer - Mc.6:46), devemos reconhecer que Ele e seus discípulos não observavam o jejum dos judeus de seus dias (exceto o do dia da Expiação).
Era costume dos fariseus jejuar dois dias por semana (Lc.18:12), mas Jesus e seus discípulos não o faziam. Aliás chegaram a questionar Jesus acerca disto:
"Disseram-lhe eles: Os discípulos de João e bem assim os fariseus freqüentemente jejuam e fazem orações; os teus, entretanto, comem e bebem. Jesus, porém, lhes disse: Podeis fazer jejuar os convidados para o casamento, enquanto está com eles o noivo? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; naqueles dias, sim, jejuarão." (Lc.5:33-35).
O Mestre mostrou não ser contra o jejum, e disse que depois que Ele fosse "tirado" do convívio direto com os discípulos (voltando ao céu) eles haveriam de jejuar. Jesus não se referiu ao jejum somente para os dias entre sua morte e ressurreição/reaparição aos discípulos (ao mencionar os dias que eles estariam sem o noivo), e sim aos dias a partir de sua morte.
Contudo, Jesus deixou bem claro que a prática do jejum nos moldes do que havia em seus dias não era o que Deus esperava. A motivação estava errada, as pessoas jejuavam para provar sua religiosidade e espiritualidade, e Jesus ensinou a faze-lo em secreto, sem alarde.
Sabe, o jejum pode ser uma prática vazia se não for feito de maneira correta. Isto aconteceu nos dias do Velho Testamento, quando o povo começou a indagar:
"Por que jejuamos nós, e não atentas para isto? Por que afligimos a nossa alma, e tu não o levas em conta?" (Is.58:3a).
E a resposta de Deus foi exatamente a de que estavam jejuando de maneira errada:
"Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho. Eis que jejuais para contendas e para rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se fará ouvir a vossa voz no alto." (Is.58:3b,4).
Por outro lado, o versículo está inferindo que se observado de forma correta, Deus atentaria para isto e a voz deles seria ouvida.

2) O PROPÓSITO DO JEJUM

Gosto de uma afirmação de Kenneth Hagin acerca do jejum: "O jejum não muda a Deus. Ele é o mesmo antes, durante e depois de seu jejum. Mas, jejuar mudará você. Vai lhe ajudar a manter-se mais suscetível ao Espírito de Deus".
O jejum não tornará Deus mais bondoso ou misericordioso para conosco, ele está ligado diretamente a nós, à nossa necessidade de romper com as barreiras e limitações da carne. O jejum deixará nosso espírito atento pois mortifica a carne e aflige nossa alma.
Jesus deixou-nos um ensino precioso acerca disto quando falava sobre o jejum:
"Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos." (Mc.2:22).
O odre era um recipiente feito com pele de animais, que era devidamente preparada mas, com o passar do tempo envelhecia e ressecava. O vinho, era o suco extraído da uva que fermentava naturalmente dentro do odre. Portanto, quando se fazia o vinho novo, era sábio colocá-lo num recipiente de pele (o odre) que não arrebentasse na hora em que o vinho começasse a fermentar, e o melhor recipiente era o odre novo.
Com essa ilustração Jesus estava ensinado-nos que o vinho novo que Ele traria (o Espírito Santo) deveria ser colocado em odres novos, e o odre (ou recipiente do vinho) é nosso corpo. A Bíblia está dizendo com isto que o jejum tem o poder de "renovar" nosso corpo. A Escritura ensina que a carne milita contra o espírito, e a melhor maneira de receber o vinho, o Espírito, é dentro de um processo de mortificação da carne.
Creio que o propósito primário do jejum é mortificar a carne, o que nos fará mais suscetíveis ao Espírito Santo. Há outros benefícios que decorrerão disto, mas esta é a essência do jejum.
Alguns acham que o jejum é uma "varinha de condão" que resolve as coisas por si mesmo, mas não podemos ter o enfoque errado. Quando jejuamos, não devemos crer NO JEJUM, e sim em Deus. A resposta às orações flui melhor quando jejuamos porque através desta prática estamos liberando nosso espírito na disputada batalha contra a carne, e por isso algumas coisas acontecem.
Por exemplo, a fé é do espírito e não da carne; portanto, ao jejuar estamos removendo o entulho da carne e liberando nossa fé para se expressar. Quando Jesus disse aos discípulos que não puderam expulsar um demônio por falta de jejum (Mt.17:21), ele não limitou o problema somente a isto mas falou sobre a falta de fé (Mt.17:19,20) como um fator decisivo no fracasso daquela tentativa de libertação.
O jejum ajuda a liberar a fé! O que nos dá vitória sobre o inimigo é o que Cristo fez na cruz e a autoridade de seu nome. O jejum em si não me faz vencer, mas libera a fé para o combate e nos fortalece, fazendo-nos mais conscientes da autoridade que nos foi delegada.
Mas apesar do propósito central do jejum ser a mortificação da carne, vemos vários exemplos bíblicos de outros motivos para tal prática:

a) No Velho Testamento encontramos diferentes propósitos para o jejum:

Consagração – O voto do nazireado envolvia a abstinência/jejum de determinados tipos de alimentos (Nm.6:3,4);
Arrependimento de pecados – Samuel e o povo jejuando em Mispa, como sinal de arrependimento de seus pecados (I Sm.7:6, Ne.9:11);
Luto – Davi jejua em expressão de dor pela morte de Saul e Jônatas, e depois pela morte de Abner. (II Sm.1:12 e 3:35);

Aflições – Davi jejua em favor da criança que nascera de Bate-Seba, que estava doente, à morte (II Sm.12:16-23); Josafá apregoou um jejum em todo Judá quando estava sob o risco de ser vencido pelos moabitas e amonitas (II Cr.20:3);
Buscando Proteção – Esdras proclamou jejum junto ao rio Ava, pedindo a proteção e benção de Deus sobre sua viagem (Ed.8:21-23); Ester pede que seu povo jejue por ela, para proteção no seu encontro com o rei (Et.4:16);
Em situações de enfermidade – Davi jejuava e orava por outros que estavam enfermos (Sl.35:13);
Intercessão – Daniel orando por Jerusalém e seu povo (Dn.9:3, 10:2,3)

b) Nos Evangelhos

Preparação para a Batalha Espiritual – Jesus mencionou que determinadas castas só sairão por meio de oração e jejum, que trazem um maior revestimento de autoridade (Mt.17:21);
Estar com o Senhor – Ana não saía do templo, orando e jejuando freqüentemente (Lc.2:37);
Preparar-se para o Ministério – Jesus só começou seu ministério depois de ter sido cheio do Espírito Santo e se preparado em jejum (prolongado) no deserto (Lc.4:1,2);

c) Em Atos dos Apóstolos vemos a Igreja praticando o jejum em diversas situações, tais como:

Ministrar ao Senhor – Os líderes da igreja em Antioquia jejuando apenas para adorar ao Senhor (At.13:2);
Enviar ministérios – Na hora de impor as mãos e enviar ministérios comissionados (At.13:3);
Estabelecer presbíteros – Além de impor as mãos com jejum sobre os enviados, o faziam também sobre os que recebiam autoridade de governo na igreja local, o que revela que o jejum era um princípio praticado nas ordenações de ministros (At.14:23).

d) Nas Epístolas só encontramos menções de Paulo de ter jejuado (II Co.6:3-5; 11:23-27).

3) DIFERENTES FORMAS DE JEJUM

Há diferentes formas de jejuar. As que encontramos na Bíblia são:

a) Jejum PARCIAL. Normalmente o jejum parcial é praticado em períodos maiores ou quando a pessoa não tem condições de se abster totalmente do alimento (por causa do trabalho, por exemplo). Lemos sobre esta forma de jejum no livro de Daniel:
"Naqueles dias, eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi, nem carne, nem vinho entraram em minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que se passaram as três semanas." (Dn.10:2,3).
O profeta Daniel diz exatamente o quê ficou sem ingerir: carne, vinho e manjar desejável. Provavelmente se restringiu à uma dieta de frutas e legumes, não sabemos ao certo. O fato é que se absteve de alimentos, porém não totalmente.
E embora tenha escolhido o que aparentemente seja a forma menos rigorosa de jejuar, dedicou-se à ela por três semanas. Em outras situações Daniel parece ter feito um jejum normal (Dn.9:3), o que mostra que praticava mais de uma forma de jejum. Ao fim deste período, um anjo do Senhor veio a ele e lhe trouxe uma revelação tremenda.
Declarou-lhe que desde o primeiro dia de oração o profeta já fora ouvido (v.12), mas que uma batalha estava sendo travada no reino espiritual (v.13) o que ocorreria ainda no regresso daquele anjo (v.20). Aqui aprendemos também sobre o poder que o jejum tem nos momentos de guerra espiritual.

b) Jejum NORMAL. É a abstinência de alimentos mas com ingestão de água. Foi a forma que nosso Senhor adotou ao jejuar no deserto. Cresci ouvindo sobre a necessidade de se jejuar bebendo água; meu pai dizia que no relato do evangelho não há menção de Cristo ter ficado sem beber ou ter tido sede (e ele estava num deserto!):
"Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome." (Mt.4:2).
Denominamos esta forma de jejum como normal, pois entendemos ser esta a prática mais propícia nos jejuns regulares (como o de um dia).

c) Jejum TOTAL. É abstinência de tudo, inclusive de água. Na Bíblia encontramos poucas menções de ter alguém jejuado sem água, e isto dentro de um limite: no máximo três dias. A água não é alimento, e nosso corpo depende dela a fim de que os rins funcionem normalmente e que as toxinas não se acumulem no organismo. Há dois exemplos bíblicos deste tipo de jejum, um no Velho outro no Novo Testamento:
Ester, num momento de crise em que os judeus (como povo) estavam condenados à morte por um decreto do rei, pede a seu tio Mardoqueu que jejuem por ela:
"Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci." (Et.4:16).
Paulo, na sua conversão também usou esta forma de jejum, devido ao impacto da revelação que recebera:
"Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu."(At.9:9).
Não há qualquer outra menção de um jejum total maior do que estes (a não ser o de Moisés e Elias numa condição diferente que explicaremos adiante). A medicina adverte contra um período de mais de três dias sem água, como sendo nocivo. Devemos cuidar do corpo ao jejuar e não agredi-lo; lembre-se de que estará lutando contra sua carne (natureza e impulsos) e não contra o seu corpo.

4) A DURAÇÃO DO JEJUM

Quanto tempo deve durar um jejum? A Bíblia não determina regras deste gênero, portanto cada um é livre para escolher quando, como e quanto jejua.

Vemos vários exemplos de jejuns de duração diferente nas Escrituras:

1 dia - O jejum do Dia da Expiação
3 dias - O jejum de Ester (Et.4:16) e o de Paulo (At.9:9);
7 dias - Jejum por luto pela morte de Saul (I Sm.31:13);
14 dias - Jejum involuntário de Paulo e os que com ele estavam no navio (At.27:33);
21 dias - O jejum de Daniel em favor de Jerusalém (Dn.10:3);
40 dias - O jejum do Senhor Jesus no deserto (Lc.4:1,2);

OBS: A Bíblia fala de Moisés (Ex.34:28) e Elias (I Re.19:8) jejuando períodos de quarenta dias. Porém vale ressaltar que estavam em condições especiais, sob o sobrenatural de Deus. Moisés nem sequer bebeu água nestes 40 dias, o que humanamente é impossível.
Mas ele foi envolvido pela glória divina. O mesmo se deu com Elias, que caminhou 40 dias na força do alimento que o anjo lhe trouxe. Isto é um jejum diferente que começou com um belo "depósito", uma comida celestial. Jesus, porém, fez um jejum normal com esta duração.
Muitas pessoas erram ao fazer votos ligados à duração do jejum... Não aconselho ninguém fazer um voto de quanto tempo vai jejuar, pois isso te deixará "preso" no caso de algo fugir ao seu controle. Siga o conselho bíblico:
"Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes.
Melhor é que não votes do que votes e não cumpras". (Ec.5:4,5).
É importante que haja uma intenção e um alvo quanto à duração do jejum no coração, mas não transforme isto em voto. Já intentei jejuns prolongados e no meio do caminho fui forçado a interromper. Mas também já comecei jejuns sem a intenção de prolongá-lo e, no entanto, isto acabou acontecendo mesmo sem ter feito os planos para isto.

5) O JEJUM PROLONGADO

Há algo especial num jejum prolongado, mas deve ser feito sob a direção de Deus (as Escrituras mostram que Jesus foi guiado pelo Espírito ao seu jejum no deserto – Lc.4:1). Conheço irmãos que tem jejuado por trinta e até quarenta dias, embora eu, pessoalmente, não tenha feito um jejum tão longo. Cada um deles confirma ter recebido de Deus uma direção para tal.

Vale ressaltar também que certos cuidados devem ser tomados. Não podemos brincar com o nosso corpo. Uma dieta para desintoxicação do organismo antes do jejum é recomendada, e também na quebra do jejum prolongado (mais de 3 dias). Procure orientação e acompanhamento médico se o Senhor lhe dirigir a um jejum deste gênero. Há muita instrução na forma de literatura que também pode ser adquirida.

6) PODEMOS FALAR QUE ESTAMOS JEJUANDO ?

Algumas pessoas são extremistas quanto a discrição do jejum, enquanto outras, à semelhança dos fariseus, tocam trombeta diante de si. Em Mateus 6:16-18, Jesus condena o exibicionismo dos fariseus querendo parecer contristados aos homens para atestar sua espiritualidade.
Ele não proibiu de se comentar sobre o jejum, senão a própria Bíblia estaria violando isto ao contar o jejum que Jesus fez... Como souberam que Cristo (que estava sozinho no deserto) fez um jejum de quarenta dias? Certamente porque Ele contou! Não saiu alardeando perante todo mundo, mas discretamente repartiu sua experiência com os seus discípulos.
Eu, particularmente, comecei a jejuar estimulado pelo relato das experiências de outros irmãos. Depois é que comecei (aos poucos) a entender o ensino bíblico sobre o jejum. E louvo a Deus pelas pessoas que me estimularam! Sabe, precisamos tomar cuidado com determinadas pessoas que não tem o que acrescentar à nossa edificação e somente atacam e criticam.
Lembro-me que o primeiro jejum que fiz na minha adolescência: cortei só o almoço mas tomei um refrigerante para não "sofrer" muito; fiz isto para orar por um amigo que queria ver batizado no Espírito Santo. Aquele rapaz já havia recebido tanta oração, mas nada havia acontecido ainda. Portanto, jejuei e orei em seu favor. Hoje sei que não foi grande coisa mas, na época, foi o meu melhor.
Pois bem, alguém ficou sabendo e me ridicularizou, disse que jejum de verdade era ficar o dia todo sem comer nada e bebendo no máximo um pouco de água; esta pessoa disse que eu estava perdendo meu tempo e que só fizera um "regimezinho", pois o verdadeiro jejum não admitia nem bala açucarada na boca, quanto mais um refrigerante!... mas naquele dia meu amigo foi cheio do Espírito Santo e preferi acreditar que o jejum funcionava.
Depois ouvi outros irmãos comentarem sobre jejuar mais de um dia e "fui atrás" , e assim, aos poucos, fui aprendendo (a jejuar e sobre o jejum) aquilo que não aprendi na igreja ou na literatura cristã. Penso que de forma sábia e cuidadosa podemos estimular outros à prática do jejum, basta partilharmos nossas experiências e incentiva-los.

CONCLUINDO

Haverá períodos em que o Espírito Santo vai nos atrair mais para o jejum, e épocas em que quase não sentiremos a necessidade de faze-lo. Já passei anos sem receber nenhum impulso especial para jejuns de mais de três dias e, mesmos estes, foram poucos.
E houve épocas em que, seguidamente sentia a necessidade de faze-lo. Porém, penso que o jejum normal de um dia de duração é algo que os cristãos deveriam praticar mais, mesmo sem sentir nenhuma "urgência" espiritual para isto.
Quando meu filho Israel estava para nascer, o Senhor trouxe um profundo peso de oração e intercessão ao meu coração. Sabia que devia jejuar; era uma "urgência" dentro de mim. Não ouvi uma voz sobrenatural, não tive nenhuma visão ou sonho a respeito, simplesmente sabia que tinha de jejuar até romper algo, e o fiz por seis dias.
Ao final soube que havia alcançado uma vitória. Na ocasião do parto, minha esposa teve uma complicação e quase perdemos nosso primeiro filho; contudo, a batalha já havia sido ganha e o poder de Deus prevaleceu.
Devemos ser sensíveis e seguir os impulsos do Espírito de Deus nesta área. Isto vale não só para começar a jejuar mas até para quebrar o jejum. Já fiz jejuns que queria prolongar mais e senti que não deveria faze-lo, pois a motivação já não era mais a mesma...
Encerro desafiando-o a praticar mais o jejum, e certamente você descobrirá que o poder desta arma que o Senhor nos deu é difícil de se medir com palavras. A experiência fortalecerá aquilo que temos dito. Que o Senhor seja contigo e te guie nesta prática!


A VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE


A VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE

1 Cor. 2.14-16; João 4.21-24
INTRODUÇÃO
Existe, atualmente, uma grande confusão sobre vida espiritual. Igrejas com estilo de culto solene e tradicional, são vistas como Igrejas frias; Igrejas com estilo de culto mais liberal e barulhento, são chamadas igrejas quentes e espirituais. Cultos recheados de gritos de "aleluias", são Igrejas espirituais; Igrejas sem "aleluias", são igrejas frias e carnais. Crente que chora fácil, é crente espiritual; crente que não chora, é crente frio e carnal. Parece que o nosso povo está confundindo "espiritualidade" com "emocionalidade" (palavra que não está nos dicionários, mas que usamos aqui para fins de mera comparação).
Dentro deste equívoco, muitos crentes estão vagando de igreja para igreja, buscando experiências novas e vão entrando, inconscientemente, por caminhos perigosos na vida cristã.
Creio que é tempo de pararmos para estudar o assunto de maneira mais acurada e com mais dependência da Palavra de Deus. Na verdade, pouco se tem falado entre nós sobre espírito. O que é o espírito do homem? Qual a sua natureza? Como funciona sua atividade? Que tem ele a ver com o processo da salvação cristã? Por outro lado, qual a relação entre o nosso espírito e a espiritualidade. Afinal, o que é a verdadeira espiritualidade? De onde vem a nossa espiritualidade? Qual a sua origem? Como se desenvolve? Como se manifesta? Como podemos exercer a nossa espiritualidade?
É o que vamos tentar fundamentar.
A ESTRUTURA DO SER HUMANO NO V.T.
Para entrarmos no assunto, precisamos entender um pouco mais da nossa estrutura humana do ponto de vista da Bíblia. E vamos começar pelo Velho Testamento.
No Velho Testamento
Segundo o Velho Testamento, o ser humano é formado de "bassar" (carne), animado pelo "ruah" (espírito), que se torna "Nephesh" (alma vivente). Deus forma o ruah dentro do homem – Zac. 12.1, e o preserva Jó 10.12 ( A. R. Crabtree, Teología Bíblica do Velho Testamento, Casa Publicadora Batista, p. 127). Quando o homem morre, o "ruah" volta a Deus e o "Bassar" volta ao pó – Ec. 12.7. O "ruah" do ser humano é sua parte imortal e que tem afinidade com o "ruah" de Deus.
Crabtree complementa: "O ruah (espírito) é geralmente considerado o elemento mais importante do homem. É de Deus que o homem recebe o espírito. A mesma palavra refere-se ao Espírito de Deus e ao espírito do homem. É o Espírito do Senhor que inspira e controla os profetas. É o Espírito do Senhor que habilitou o profeta para falar ao povo de Israel no cativeiro" (Is. 61.1) (Ob. Cit., p. 128).
No Novo Testamento
No Novo Testamento, temos três palavras que se relacionam: "psiquê", alma (Atos 20.10), "nous", mente, intelecto, e "pneuma", espírito, tanto do homem como de Deus.
Resumindo, podemos dizer que o espírito do homem provém do "sopro divino" (Gen. 2.7; Jó 32.8; 34.14. Esse espírito, pelo processo normal da geração e da reprodução da espécie humana, é criado por Deus dentro do homem (Zac. 12.1). O espírito do homem, uma vez criado por Deus, não se extingue com a morte e não morre nunca mais (Ec. 12.7; 1 Reis 17.22; Atos 20.9-10).
Falando do relacionamento do Espírito Santo com o nosso espírito, Paulo emprega a expressão: "tò pneûma", referindo-se ao nosso espírito (Rom. 8.16). Portanto, o que nos interessa aqui, sem considerar o problema da "dicotomia" (espírito e corpo) ou da "tricotomia" (espírito, alma e corpo), fica claro que o relacionamento fundamental do ser humano com Deus dá-se entre o Espírito Santo e o nosso espírito (o ruah).
O FUNDAMENTO DA ESPIRITUALIDADE
Assim sendo, onde começa a nossa espiritualidade? Como está fundamentado este processo?
Ora, sabemos, pela Palavra de Deus que, com o pecado, a vida espiritual do ser humano morreu. Não que o espírito do homem tenha morrido ou se extinguido, pois ele faz parte da vida. É por ele que o homem foi feito "alma vivente". Mas tendo sido cortado o seu relacionamento com Deus, o homem perdeu a sua vida espiritual ou a sua espiritualidade, pois ficou separado de Deus. Esta é a morte espiritual.
Daí, o ser humano perdeu o contato com Deus, pois o seu "canal" de comunicação foi cortado com o pecado. Deus, no entanto, preparou um plano para recuperar essa espiritualidade. O recurso de Deus foi o envio de Seu Filho, que se encarnou e tornou-se Jesus, o Cristo.
O apóstolo Paulo fala muito de reconciliação referindo-se ao trabalho salvador de Cristo. Mas essa reconciliação não foi um mero ato formal ou externo, mas ela é o resultado de uma elaboração interior no ser humano.
O primeiro passo dessa elaboração é o arrependimento. Arrependimento quer dizer: "mudança de mente". Isto quer dizer que nós não nascemos com a nossa mente, mas com faculdades mentais. Nesse espaço vai sendo formada a nossa mente no nosso meio cultural à proporção que vamos crescendo fisicamente. Essa mente é formada de acordo com o mundo que está sujeito às leis do pecado. É como um edifício que vai sendo construído com diversos materiais, uns bons, outros ruins. Essa mente é a central de comando de nossa vida e é por isso que somos infelizes e desajustados, porque estamos sempre errando o alvo da verdadeira vida por causa do pecado que habita em nós.
Este arrependimento começa com o trabalho do Espírito Santo na nossa mente. Ele nos convence do pecado, da justiça e do juízo. Isto quer dizer que ele nos faz tomar consciência de que somos pecadores e como tais temos uma dívida a pagar, pois assim exige a justiça de Deus, e se não pagarmos, haverá um juízo. Mas ao mesmo tempo, Ele nos mostra que o próprio Deus se ofereceu para "pagar o preço", dando Seu filho Jesus Cristo para morrer por nós, para que fiquemos livres do juízo de Deus.
Quando assumimos que somos pecadores e aceitamos a oferta de Deus em Cristo, nós aceitamos passar pelo arrependimento. Mas ao mesmo tempo, nós cremos nesse plano de Deus em Cristo. Nós cremos que Ele é o único que nos pode livrar da condenação, perdoando os nossos pecados, pois Ele já morreu por nós. Neste ato, nós assumimos que Cristo morreu por nós. Nós individualizamos o amor de Deus por nós. Quando nós tomamos conscientemente esta decisão, nós nascemos de novo, como ensinou o Senhor Jesus.
Neste ato, segundo Pedro (1 Ped. 1.23), nós somos gerados de novo. Segundo Paulo, nós nos tornamos nova criatura (2 Cor. 5.17), e passamos a desenvolver dentro de nós uma nova mente – a mente de Cristo (1 Cor. 2.16). É isto que o Evangelho de João chama de "nascer da água e do Espírito". Este é o ato da reconciliação tão enfatizado pelo apóstolo Paulo.
O ato de nascer de novo vai mais longe. Segundo o que ensinou Pedro no dia de Pentecostes, nós recebemos, no ato de arrepender, o Dom do Espírito Santo, que é o próprio Espírito Santo (Atos 2.37,38). O apóstolo Paulo explica melhor isto em Ef. 1.13,14, dizendo que somos selados no Espírito Santo, que nos é dado como penhor, como garantia da nossa salvação. E mais: Paulo complementa que passamos a ser habitação do Espírito Santo (1 Cor. 6.19,20). Assim, fica restabelecida a nossa comunicação e comunhão com Deus. Agora o canal está aberto novamente para Deus.
Em Romanos 8.16, o apóstolo Paulo nos dá a chave para o entendimento do assunto, quando diz que o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos de Deus. Isto quer dizer que há um estreito relacionamento entre o Espírito de Deus com o nosso espírito dentro de nós. E é desse relacionamento que nasce a nossa verdadeira vida espiritual.
Deste entendimento, concluímos que o nosso relacionamento com Deus não é provocado por atos formais de nossa parte para que nos comuniquemos com Deus, mas que esse relacionamento começa dentro de nós, o que provoca atos e atitudes de acordo com a verdadeira espiritualidade.
É aqui e assim que nasce a verdadeira espiritualidade. Foi por isso que o Senhor Jesus Cristo disse à mulher samaritana que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade. Daqui para a frente não necessitamos mais de altar, de intermediários, de sacerdotes, de movimentos litúrgicos. Tudo provém do interior, onde há o constante encontro do Espírito de Deus com o nosso espírito. É desse encontro que vem o verdadeiro louvor, a verdadeira adoração. É esse estado interior que gera nossa expressão corporal diante de Deus.
O PROBLEMA DA FALSA ESPIRITUALIDADE
Mas nem sempre é esta a espiritualidade que vemos em nossos dias. Nestas duas últimas décadas, temos presenciado um crescimento bastante acentuado do povo evangélico e, ao mesmo tempo, uma diversificação muito grande de grupos, seitas, estilos de culto. O estudo sério das Escrituras Sagradas tem sido deixado de lado e tudo é feito na base da experiência humana. As pessoas começam a fazer o que outras estão fazendo sem questionar ou sem avaliar.
A base para todas essas práticas tem sido a emoção. Parece que temos voltado aos dias dos filósofos gregos que viviam pelo prazer sentimental e aos templos pagãos que adoravam os seus deuses agitados pelo prazer sexual. Tudo era emoção.
O que ocorre hoje, numa grande parte das igrejas evangélicas, é um culto que apela para a emoção. Os cânticos, os movimentos, os instrumentos fortemente retinentes, as palmas ritmadas no louvor cantado, tudo apela ao sentimentalismo. E isso geral os mais variados resultados e provoca vários tipos de experiências. Por ser motivações sensoriais, muitos problemas neurológicos, psiquiátricos e psicológicos afloram e simulam certas reações e experiências momentaneamente agradáveis, que muitos interpretam como "experiências espirituais", mas que vemos que são "pseudo experiências espirituais", não são autênticas. Em muitos casos – na sua maioria talvez – os que assim fazem desconhecem esta realidade.
A chamada igreja do riso, que surgiu há alguns anos no Canadá e está se espalhando pelo mundo, é um exemplo. Reunida a multidão, os trabalhos são feitos a base de muita música. Música bem selecionada para causar o efeito desejado pelo dirigente. Um lado do auditório tem cadeiras ou poltronas, o outro lado está livre, sem poltronas, com um lindo carpete bem limpo. O povo vai cantando, cantando, cantando. O dirigente, como verdadeiro animador de um show, vai conduzindo as emoções do auditório. Até que alguns começam a rir. De repente, o riso contamina o grupo todo. E isso vai se alastrando. No auge da experiência, as pessoas caem num transe de histeria coletiva, saem de seus lugares e vão deitar e rolar naquele carpete. É como se as músicas e o ambiente tivessem um poder hipinótico. E chamam a isso espiritualidade!
Na verdade, esta é mais uma das armadilhas do Diabo. Ele é especialista em semear joio no meio do trigo, o erro no meio da verdade. Parece, mas não é espiritualidade. Traz emoção, prazer, mas é prazer apenas carnal e não espiritual.
Faz-me lembrar uma história curiosa de um chefe de uma remota tribo africana que um dia teve oportunidade de visitar a grande cidade de Nova York. Um amigo americano que trabalhou naquela região da África levou o chefe para Ter aquela experiência de cidade grande. Dentre tantas coisas do progresso que encantou aquele chefe tribal, a torneira do hotel, de onde saia água limpa e com força, foi a mais fascinante. E ele falou com seu amigo que queria levar uma torneira quando voltasse. Seu amigo, sem indagar mais sobre seu desejo, comprou-lhe uma linda torneira de metal dourado. Aquele chefe voltou para sua terra e lá, numa humilde parede da sua casa procurou instalar a torneira da melhor maneira que pôde. Mas ficou decepcionado. Ele abria a torneira e não saía água. Foi então chamar seu amigo para reclamar que a torneira não lhe dava água. Foi aí que o amigo entendeu a história e lhe explicou que a torneira deveria estar ligada por um cano a uma fonte de água para que pudesse lhe dar água.
O que muitos estão fazendo hoje é exatamente isto. Estão vivendo uma experiência que não está ligada à fonte da espiritualidade. Assim, toda a movimentação está seca e é enganosa. Nos tempos do profeta Jeremias isto se chamava: "cisterna seca", que não retém as águas (Jer. 2.13).
E aqui podem existir duas situações. A primeira, marcada por pessoas que realmente não se converteram. A maneira como o Evangelho está sendo pregado e vivido hoje dá margem a isto. Há muitas igrejas trabalhando na base de milagres e milagres somente. Fazem reuniões de curas e expulsão de demônios, mas não evidenciam a pregação do Evangelho, poder de Deus para a salvação. Assim, as pessoas ligam-se às igrejas ou simplesmente juntam-se às multidões e entram nos cultos, mas nunca tiveram uma experiência real de conversão. São pessoas que aprendem a fazer tudo conforme o modelo, mas não são uma nova criatura. Paulo apóstolo dizia: "Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura" (Gal. 6.15).
Certo missionário Inglês preparou-se a vida toda para ser missionário entre os Chineses. Ao longo do seu preparo, aprendeu a falar bem o chinês, a vestir-se como chinês, a comer a comida chinesa com os pauzinhos e estudou muito da cultura chinesa. Quando ele chegou à China, ele vestia-se como chinês, andava como chinês, comia como chinês e falava como chinês. Ele parecia um autêntico chinês. Mas eu pergunto: Era ele um chinês? Não! Ele era Inglês, pois havia nascido Inglês. Assim é a questão da espiritualidade. Se alguém não é nascido espiritual, não nasceu de novo, não pode desenvolver uma verdadeira espiritualidade. Tudo será postiço, falso, enganoso.
Uma Segunda situação nesta área da espiritualidade é explicada por Paulo em sua epístola aos Gálatas. Ele fala das duas naturezas. O entendimento é o seguinte: antes de converter-se, o ser humano é dominado por sua natureza pecaminosa, e sua natureza espiritual está amortecida – ele está desligado da fonte, que é Deus. Convertido o ser humano, sua natureza espiritual ressurge. Ele agora tem vida espiritual, pois é uma nova criatura. Só que a natureza carnal não é eliminada. Assim é que Paulo conclama aos crentes a viverem alimentando a vida espiritual para que esta os domine e não a natureza carnal. Eis porque Paulo fala do homem natural – o homem não convertido; do homem espiritual – o homem convertido, e do homem carnal – o convertido, mas que está se deixando dominar pela velha natureza pecaminosa, apesar de possuir a natureza espiritual.
O que ocorre é que o Diabo, sabedor destas coisas, incentiva o crente a viver uma vida espiritual de derrotas, dando mais força para a natureza carnal. E isto se manifesta até mesmo em atividades chamadas "espirituais", mas que na verdade não levam a nada. São como remédios que não são remédios, são meros paleativos.
A natureza espiritual está no verdadeiro crente. Ele se converteu e é nova criatura. Mas ele precisa exercitar esta natureza e fazê-la crescer para que sua espiritualidade se manifeste em sua vida toda.
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CONCLUSÃO
Até mesmo no Velho Testamento vamos encontrar modelo do que estamos defendendo. O exemplo é o de Elias e os profetas de Baal (1 Reis 18.22-46). Os profetas de Baal tinham uma liturgia, uma prática de culto baseada na emoção. Pulavam, gritavam, feriam-se com facas (1 Reis 18.27,28), mas nada acontecia. Quando chegou a vez de Elias, ele "reparou o altar do Senhor que estava quebrado" (18.30). E falou com Deus, e Deus o ouviu. Não precisou liturgia, nem gritos, nem emocionalismos. Deus o atendeu poderosamente. A verdadeira espiritualidade não precisa ser forçada. Ela existirá dentro de cada crente.


A IMPORTÂNCIA DE AMAR SEUS INIMIGOS


A Importância de Amar Seus Inimigos!
                
Se você diz que não tem inimigos, lhe faço uma oferta. Vamos combinar de você escrever um livro explicando como conseguiu chegar até aqui, sem que ninguém se lhe oponha. O livro com certeza será um bestseller.
Você irá explicar como que ninguém jamais lhe teve inveja, ciúme ou hostilidade. Explicará como que ninguém jamais tentou interromper seus planos, arruinar seus objetivos ou sabotar seu futuro. Contará como foi que jamais alguém lhe ofendeu, bloqueou sua vontade, ou orquestrou uma ofensa destruidora conta você.
Não estou pretendendo ser irreverente ou sarcástico. Mas o fato, é que estas são as coisas que tornam alguém seu inimigo. E todos nós já vivemos pelo menos uma destas experiências.
É claro que todo cristão enfrenta um arquiinimigo em Satanás. Jesus diz que ele é o inimigo que planta ervas daninhas em nossas vidas (veja Mateus 13:39). Igualmente, o apóstolo Pedro nos previne sobre Satanás: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (I Pedro 5:8).
Porém Jesus deixa claro que nada temos a temer do diabo. Nosso Senhor nos deu todo poder e toda autoridade sobre Satanás e suas forças demoníacas: “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano” (Lucas 10:19). Cristo afirma claramente que a batalha com Satanás já foi vencida. Temos em nosso interior, o poder para resistir a qualquer tentativa que o diabo faça para nos devorar.
Em vez disso quero me concentrar em nossas lutas contra os inimigos humanos - adversários de carne e osso, pessoas com quem vivemos ou trabalhamos. Veja, quando Pedro usa a palavra “devorar”, o significado em grego é “tentar de qualquer jeito engolir você de uma só vez.” Pedro está falando sobre qualquer tipo de coisa (seja uma luta, algum sofrimento ou tentação) que possa lhe engolir e lhe colocar em depressão, temor ou desencorajamento.
Você pode ser capaz de testificar que teve uma enorme vitória em Cristo. Com sucesso você resistiu à todas as tentações, aos maus desejos, à lascívia, ao materialismo, e ao amor pelo mundo. Mas, ao mesmo tempo, você pode ser devorado por uma luta permanente com um inimigo humano. Alguém se levanta contra você - manifestando inveja e amargura, deturpando suas ações, motivações, abalando sua reputação, se opondo a você o tempo todo, buscando frustrar o propósito de Deus em sua vida.
O ataque desta pessoa sobre você lhe rouba a paz. Você tem de gastar um tempo precioso se explicando e defendendo suas ações. E depois de um tempo, o conflito começa a consumir todos os seus pensamentos, e lhe faz passar muitas noites em claro. E agora você vê que isso está afetando sua família, seus relacionamentos, e até sua saúde física.
Se isso descreve você, então você já foi devorado por um inimigo; foi tragado pela aflição causada por um adversário humano.
O Velho Testamento Parece Sustentar Nossas Esperanças Secretas de que Deus Julgará os Nossos Inimigos.
A lei do Velho Testamento pedia vingança - olho por olho, dente por dente. A sua mensagem parece ser: “Senhor, Tu vistes o que meu inimigo me fez. Agora, pegue-o!"
Fica mais fácil compreendermos esta atitude, à medida que vamos aprendendo mais a respeito dos terríveis inimigos de Israel. O grito de guerra dos egípcios era: “Perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos; a minha alma se fartará deles, arrancarei a minha espada, e a minha mão os destruirá” (Êxodo 15:9). E Deus foi fiel em vingar Israel contra os inimigos: “Sopraste com o teu vento, e o mar os cobriu; afundaram-se como chumbo em águas impetuosas” (Êxodo 15:10). “Estendeste a tua destra; e a terra os tragou” (15:12).
Já posso ouvir alguns cristãos dizendo: “É isso que eu quero que Deus faça com os meus inimigos. Que Ele os derrube e devore. Afinal de contas, eles fizeram comigo o que os egípcios fizeram com Israel; me perseguiram, me atingiram, me atacaram. Então possuo uma base bíblica clara para pedir a Deus que carregue para longe os meus inimigos.”
Porém, se tentarmos receber conforto na maneira com que o Velho Testamento trata com os inimigos - até nossos inimigos não salvos - então nos colocaremos novamente sob a escravidão da lei.
Davi fez declarações fortes sobre seus inimigos. Ele rogou a Deus: “Envergonhem-se e sejam sobremodo perturbados todos os meus inimigos; retirem-se, de súbito, cobertos de vexame” (Salmo 6:10). Ele estava dizendo: “Persiga-os, Senhor - não lhes dê descanso, por causa do que me fizeram.”
Em um caso, o inimigo de Davi era um amigo íntimo, um dentre o próprio povo de Deus. Davi foi magoado profundamente por esse amigo, uma pessoa com quem havia aberto o coração. Esse homem era parceiro de oração de Davi, um companheiro que compartilhava seu amor para com Deus. Contudo este amigo do peito se virou contra Davi, traindo-o. E isso o deixou machucado, zangado, confuso.
“Com efeito, não é inimigo que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem é o que me odeia quem se exalta contra mim, pois dele eu me esconderia; mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu íntimo amigo. Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus” (Salmo 55: 12-14).
Davi estava dizendo em essência: “Se fosse uma pessoa comum, eu suportaria. Mas era um amigo íntimo e piedoso. E isso, já era demais para eu agüentar.”
Junto com a maioria dos estudiosos da Bíblia, creio que o amigo que se virou contra Davi foi Aitofel, seu conselheiro e confidente durante uma época. Os dois consultavam a opinião do outro em todas as áreas da vida. Toda vez que Davi ia até a casa de Deus para adorar, Aitofel estava ao seu lado, agindo como oráculo do Senhor para com ele. E Davi abria totalmente o coração com Aitofel, pensando ter um amigo espiritual.
Contudo este mesmo Aitofel - aparentemente tão sábio e espiritual, tão sem engano, tão dedicado a Davi e à sua causa - de repente se virou contra o rei, e se tornou seu inimigo. Na realidade, Aitofel ficou tão amargo em relação a Davi, que chegou a arregimentar pessoas contra ele. Até alistou o próprio filho de Davi, Absalão, em um complô para matar o rei.
Davi se queixa: “A sua boca era mais macia que a manteiga, porém no coração havia guerra; as suas palavras eram mais brandas que o azeite; contudo, eram espadas desembainhadas” (Salmo 55:21). Ele estava dizendo: “Eu achava que Aitofel fosse meu amigo. Ele era tão piedoso ao falar, e dizia que desejava o que fosse o melhor para mim. Mas aí me apunhalou pelas costas.”
Esta terrível traição levou Davi a ficar continuamente de sobreaviso. E disse: “Todo o dia torcem as minhas palavras; os seus pensamentos são todos contra mim para o mal. Ajuntam-se, escondem-se, espionam os meus passos, como aguardando a hora de me darem cabo da vida” (55: 5-6). E se lamenta: “Eles vigiam todos os meus movimentos, esperando para me pegar.”
Do interior desta terrível dor, depressão e raiva, Davi clama com vigor: “A morte os assalte, e vivos desçam à cova! Porque há maldade nas suas moradas e no seu íntimo” (Salmo 55:15). Em outras palavras: “Mate este traidor, Senhor. Não o deixe vivo. Mande-o ao inferno, por causa do que me fez.”
Contudo, mesmo falando assim, Davi vê a si mesmo como inocente. Testifica: “Mas eu invocarei a Deus...de tarde e de manhã e ao meio dia orarei” (55:16-17). Davi estava dizendo: “Senhor, Tu sabes que fiz tudo para tentar Te agradar. Não toquei este homem - contudo, ele se virou contra mim. Fez-se meu inimigo.”
São palavras do mesmo rei piedoso que chorou quando seu inimigo homicida, Saul, foi abatido em batalha. Davi rasgou suas vestes em sofrimento, e convocou os amigos para jejuar e orar, bradando: “Caiu um gigante de Israel. Saul era um grande homem de Deus.” Contudo agora, Davi diz o seguinte quanto a Aitofel, seu ex-amigo: “Mate-o, Deus. Mande-o para o inferno, rápido.” E a seguir justifica sua atitude dizendo: “Sou um homem de oração. Estou sempre de joelhos.”
O quanto nós cristãos somos iguaizinhos a Davi. Naquela dor terrível e em depressão, clamamos em justiça própria: “Senhor - não permita que vivam mais um dia.”
Alguma Vez Você Sofreu a Traição de Um Amigo Íntimo?
Talvez você conheça alguém que disse a todos que o amava. Mas aí, zing! - este amigo lhe apunhala pelas costas. Se vira contra você, e resolve lhe agredir.
Talvez você esteja separado ou divorciado do cônjuge, e agora este esteja lhe apunhalando. No passado você estava convencido de que seu companheiro lhe amava e respeitava. Ficou ao seu lado junto ao altar prometendo ser seu para o resto da vida. No começo, as palavras dele eram suaves e amorosas, e você achou, “Somos tão próximos um do outro. Ele é o meu amigo mais íntimo.”
Mas agora ele lhe abandonou, talvez por outra pessoa. Ele lhe acusa - solta palavras brandas, mas por trás busca lhe destruir. Você chora até conseguir dormir, e pensa: “Eu pensava que o conhecesse. Como pôde ficar assim?”
Talvez seu inimigo seja um amigo próximo e pessoal - talvez um pastor ajudante ou um obreiro cristão. Houve época em que esse amigo lhe parecia piedoso e sincero, e você confiava nele. Mas, de repente, sem razão aparente, ele se vira contra você. Você nada fez para causar essa oposição da parte dele. Na verdade, até mesmo quando lhe acusou, você se manteve amigo. E no entanto, não dá para acreditar o quanto ele envenenou os outros sobre você: mentiras, palavras ofensivas, manipulações. E a dor é ainda mais profunda porque se tratava de um amigo.
Alguns leitores podem perguntar: “Será que essas coisas realmente acontecem dentro do corpo de Cristo? Não vejo como isso seria real em qualquer cristão.” Fico triste em dizer que tudo isso é muito real.
Conheço um piedoso homem de negócios que foi convidado a participar da diretoria de uma organização cristã. Na primeira reunião, ele ficou chocado com a politicagem e o engalfinhamento que testemunhou. Ele me telefonou, desconcertado, e perguntou: “Todos os ministérios são assim? Este tipo de coisa posso esperar dentro dos negócios, mas estou desencorajado pelo que vi e ouvi entre aqueles homens. Eles não conseguem se reunir no Espírito de Cristo, e resolver suas diferenças.”
Entenda, é impossível ser verdadeiramente santo sem obediência total ao mandamento de nosso Senhor para nos amarmos uns aos outros. Jesus diz: “Toda a lei é cumprida nisso: amar a Deus de todo o coração, e ao teu próximo como a ti mesmo” (v. Mateus 22:37-40). Em verdade, Deus testa o nosso amor por Ele, pelo amor que demonstramos para com nossos irmãos e irmãs. “Se alguém disser: Eu amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso. Pois aquele que não ama a seu irmão, a quem viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (I João 4: 20).
Pode-se cantar louvores a Deus na igreja, dar comida aos sem teto - mas se houver um só ressentimento contra alguém, o seu amor por Deus é em vão. As Escrituras afirmam que se você alberga o mal no coração contra outra pessoa, você é um hipócrita consumado aos olhos de Deus.
Amar os que nos ferem não é uma opção, mas mandamento: “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou” (I João 3:23). “Isto vos ordeno: Amai-vos uns aos outros.” (João 15:17).
Você pode protestar: “Senhor, Te servirei, louvarei, adorarei, farei sacrifícios por Ti - mas não esperes que eu submeta aTi esta ofensa. Se compreendesses a profundidade da dor que tenho enfrentado, Tu não me pedirias isto. Está além da minha capacidade.”
Não - está dentro da sua capacidade fazê-lo. Jesus diz que nos deu todo o poder sobre o inimigo. O Seu Santo Espírito nos dá poder para perdoar, mesmo quando somos feridos profundamente.
Veja, como membros do corpo de Cristo, devemos reagir segundo a orientação dada por nosso Líder, Jesus. Pense nisso: nem um de seus dedos se move, nem o olho pisca, sem serem direcionados pelo cérebro. Assim, se Cristo é o nosso Cabeça, então todos Seus membros devem se mover de acordo com Seus pensamentos. E Ele claramente expressou Seu pensamento neste assunto: “Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32).
Você está agindo segundo a sabedoria de Cristo? Ou se tornou o seu próprio cabeça, independente dEle? Você perdoou em amor os seus inimigos, assim como Jesus lhe perdoou? Ou ainda tem rancor, o que faz com que seus pecados se acumulem contra você?
Tenho um Óleo de Rícino Forte para Você.
Muitas vezes, o mandamento de Deus para amar nossos inimigos pode parecer remédio amargo e ruim. Mas, como o óleo de rícino que eu tinha de engolir na minha juventude, é um remédio que cura. Muitos cristãos não estão querendo tomar este remédio. Eles o vêem especificado nas Escrituras, mas raramente o seguem. Ainda continuam se achando inocentes ao depreciar os inimigos.
Porém Jesus declara com muita clareza: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5: 43-44).
Jesus estaria contradizendo a lei aqui? De jeito nenhum. Ele estava revertendo o espírito da carne que havia penetrado na lei. Naquela época, os judeus só amavam outros judeus. Um judeu não devia apertar as mãos de um gentio, e nem mesmo permitir que sua túnica roçasse a vestimenta de um estranho. Porém esse não era o espírito da lei. A lei era santa, ensinando: “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer; se tiver sede, dá-lhe água para beber. Assim fazendo, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça, e o Senhor te recompensará” (Provérbios 25:21-22).
Jesus também discursou sobre a lei do Velho Testamento no que se relaciona à ofensas e feridas. Ele declara: “Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo: Não resistais ao homem mau. Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra” (Mateus 5:38-39).
Sob a lei Mosaica, a todo aquele que produzisse ferimento deveria ser feito de igual maneira - ferimento por ferimento, golpe por golpe. Porém não deveria ser assim sob o ministério da graça de Cristo. Em verdade, o mandamento de Jesus para amarmos o próximo, foi feito para incluir até nossos inimigos.
Pode-se perguntar: “Nós devemos amar as pessoas más: médicos que fazem aborto, políticos inescrupulosos, homossexuais militantes que afirmam que Jesus era gay? A Bíblia não nos manda bradar contra o pecado, e tenazmente resistir aos malignos?” Sim, manda. Mas devemos resistir aos maus procedimentos destas pessoas sem odiá-los.
Você talvez queira invocar a prece de Davi: “Não odeio eu, ó Senhor, e abomino aqueles que se levantam contra ti? Odeio-os com ódio completo; tenho-os por inimigos” (Salmo 139: 21-22). Porém, até mesmo Davi finalmente descobriu o gracioso e generoso espírito da lei. Ele aprendeu ser possível odiar o mal de alguém, sem odiar a pessoa. Ele escreveu: “Aborreço as ações daqueles que se desviam” (Salmo 101:3). “Aborreço todo caminho errado” (Salmo 119:104).
“Odeio e abomino a falsidade [deles]” (119: 163).
Veja os exemplos de Jesus. Ele enfrentou todo o mal reunido pelos poderes significativos de Seus dias: oficiais do governo, líderes políticos e da igreja. Todas estas pessoas fizeram-se inimigas de Cristo, enfurecendo-se com Ele com maldade. Contudo no ápice da dor - à beira da morte - Jesus orou: “Pai, perdoa-lhes” (Lucas 23:34).
Estevão tinha todo o direito de resistir àqueles que o apedrejavam. Poderia apontar o dedo àqueles líderes religiosos corruptos e dizer: “Até o dia do juízo. Vocês não vão ficar impunes. Deus vai puni-los por esse pecado.” Mas, em vez disso, Estevão seguiu o exemplo de Jesus, e orou: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (Atos 7:60).
Quando Míriam se levantou reclamando contra o irmão, Moisés, ela cometeu pecado punível com a morte. E Deus foi fiel em vingar Moisés, golpeando sua irmã com lepra. Porém Moisés não se alegrou com o sofrimento de Míriam. Isto fez doer seu coração, e ele pediu que Deus a curasse: “Ó Deus, rogo-te que a cures” (Números 12:13).
Paulo foi bajulado por hipócritas que depois o insultaram, ofenderam e caluniaram. Pessoas até distantes se opuseram a Paulo - políticos maus, sociedades inteiras, sodomitas romanos que o odiavam por ele se colocar contra suas práticas homossexuais. Até igrejas se levantaram contra ele. Mestres enfurecidos, invejosos das revelações que Paulo recebia, zombavam e o deturpavam. Outros o acusavam de malversar o dinheiro.
Não se engane: Paulo odiava o pecado destas pessoas. Elas induziam outros ao erro; isso o fazia sofrer - e ele falou contra esta prática errada. Mas nunca deixou de amar as pessoas ou de orar por suas almas. Testificou: “Quando somos injuriados, bendizemos; quando somos perseguidos, sofremos; quando somos difamados, consolamos” (I Coríntios 4:12-13). Paulo estava seguindo o exemplo de Jesus. Como Pedro escreveu a respeito de Cristo: “Quando foi injuriado, não injuriava, e quando padecia não ameaçava. Antes, entregava-se àquele que julga justamente” (I Pedro 2:23).
Podemos odiar as atitudes imorais dos governantes. Podemos odiar o pecado dos homossexuais, dos favoráveis ao aborto e de todos que desprezam Cristo. Mas o Senhor ordena que os amemos como pessoas - pessoas por quem Jesus morreu. E nos ordena que oremos por eles.
Mesmo assim, em vez disso, muitas vezes brincamos às custas deles. Já contei e já ri de muitas piadas sobre nosso Presidente. Creio que sua posição quanto ao aborto em gravidez de termo é uma abominação aos olhos de Deus, e me faz ferver o sangue. Mas isto não é desculpa para eu não levar a sério a alma eterna dele. Se alguma vez eu depreciar a pessoa, em vez dos princípios por trás dela, não estou verdadeiramente representando a Cristo.
Creio que o nome de Jesus tem sido desonrado, devido à maneira com que muitos cristãos reagem aos malfeitores. Temos nos zangado com aqueles em favor dos quais deveríamos estar orando. Assim chamados cristãos explodiram clínicas de aborto, assassinaram médicos que praticavam aborto, levantaram punhos furiosos contra os que faziam passeatas gay. Nada disso é o Espírito de Cristo. O nosso poder está quando ajoelhados, não agitando os punhos ou nos igualando em julgamento feroz.
Agora Falemos a Respeito dos Inimigos Dentro da Igreja.
Como devemos reagir aos cristãos que se fizeram nossos inimigos? Jesus ordena que os amemos, fazendo três coisas: 1. Bendizendo-os. 2. Fazendo-lhes o bem. 3. Orando por eles. “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mateus 5:44).
Revisemos nossas vidas à luz destas três coisas, para ver se estamos sendo obedientes a Cristo, nosso Cabeça:
1. “Bendizei os que vos maldizem.” O quê, exatamente, significa bendizer? A palavra em grego aqui implica em “falar só o que é bom e edificante, em voz alta, com a boca.” Não devemos apenas pensar coisas boas sobre nossos inimigos, mas falá-las abertamente.
Tenho falhado verdadeiramente neste mandamento. Lembro-me de uma vez quando algumas pessoas que eu amava muito se levantaram contra mim, me perseguindo e acusando. Foi a maior dor que já senti, e consumia meus pensamentos dia e noite. Sempre que tinha uma chance, eu descarregava o coração com qualquer pessoa que quisesse ouvir.
Um dia um casal querido do ministério pediu que almoçássemos juntos, com Gwen minha esposa, e eu. Mal havíamos nos assentado, comecei a descarregar minha carga sobre eles. Relatei-lhes cada detalhe do meu sofrimento - cada mentira que fôra dita, cada mágoa provocada. O casal nem entendeu o que estava acontecendo. Cerca de uma hora mais tarde, foram embora desconcertados. Ao olhar para Gwen, enxerguei desencorajamento em seus olhos. Foi aí que acendeu a luz: só eu havia falado.
Mais tarde descobri que este querido casal estava sofrendo - e é por isso que estavam desesperados para nos encontrar. Eu, porém, nem cheguei a lhes perguntar como estavam passando. Não conseguiram receber uma palavra certa - e foram embora vazios, áridos, não edificados. Se eu tivesse pelo menos obedecido o mandamento de Jesus para bendizer os que me perseguiam, falando bem deles, este casal poderia ter recebido bênção. Em vez disso, se retiraram com o espírito abatido.
2. “Fazei bem aos que vos odeiam.” O que significa fazer bem aos que se opõem a nós? O significado em grego aqui implica “honestidade mais restauração.” Jesus está dizendo basicamente: “Faça o possível para conseguir que seu inimigo seja curado e restaurado dos laços de Satanás. Você sabe que o que esta pessoa lhe está fazendo é mal. No entanto, você não deve se concentrar na dor que está sentindo, mas em que a alma de seu inimigo está sendo induzida ao erro.”
Cristo na realidade ordena que antevejamos a situação de condenação, em que se encontra a alma dos que nos perseguem. Não devemos nos confortar com a idéia de que Deus um dia vingará os pecados deles contra nós. Antes, devemos orar por eles. Devemos tentar destruir todas as muralhas que os possam condenar, e desenvolver todos os esforços para reconstruir uma ponte para eles.
Jesus prometeu: “Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes, são retidos” (João 20:23). Perdoar quer dizer: “esquecer completamente, renunciar, pôr de lado.” É claro, ninguém pode perdoar os pecados de alguém contra Deus. Só Cristo pode fazer isto, através de Sua obra na cruz. Mas podemos perdoar os pecados cometidos contra nós. Jesus está dizendo: “Se você perdoar o pecado cometido contra você, Eu perdoarei este pecado no céu. Perdoarei o seu inimigo às suas custas.”
A ordem de Cristo aqui é muito simples: “Tome a iniciativa. Não espere, não perca a oportunidade - pois a alma de seu inimigo pode ir para a eternidade ainda carregando o pecado. Seja você o primeiro a buscar reconciliação. É claro que a sua bondade pode ser rejeitada. Mas se for aceita, você pode se apresentar no dia do juízo sabendo que seu inimigo não foi julgado e condenado, devido ao pecado que cometeu contra você.”
3. “Orai pelos que vos perseguem.” Vemos este mandamento ilustrado nos deveres do Sumo Sacerdote. Primeiro: a lei exigia que o sacerdote fizesse o sacrifício da oferta e a colocasse sobre o altar, para tratar do pecado do povo. E, segundo: o sacerdote deveria orar pela congregação, agindo como seu intercessor.
Esse procedimento sacerdotal foi demonstrado na cruz. Jesus fez as duas coisas: primeiro, fez o sacrifício pelo pecado com Seu próprio corpo. Então orou por perdão para o povo, incluindo Seus próprios perseguidores.
E, neste instante Cristo está intercedendo pelos seus inimigos: “Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (I João 2:1). Jesus é advogado até mesmo dos que O perseguiram. Então, se Ele está intercedendo por suas almas, como pode você continuar sendo inimigo deles? É simplesmente impossível.
O Quão Importante é Perdoar e Bendizer os Nossos Inimigos?
Paulo escreve: “Dai lugar à ira” (Romanos 12:19). Em resumo, ele está dizendo: “Sofra a ofensa. Aquiete-a e mexa-se. Vá viver no Espírito.” Contudo, se nos recusamos a perdoar as ofertas contra nós, temos de enfrentar estas conseqüências:
1. Nos tornamos mais culpados do que a pessoa que nos infligiu ofensa.
2. A misericórdia e a graça de Deus para nós serão bloqueadas. Então, quando as coisas começarem a ir mal em nossas vidas, não vamos entender, pois estaremos em desobediência.
3. A pressão de nosso perseguidor contra nós continuará nos roubando a paz. Ele se torna o vencedor, conseguindo nos infligir sofrimento permanente; continua sorridente vivendo sua vida, enquanto nós continuamos fermentando nossa raiva.
4. Devido ao fato de Satanás conseguir nos levar a ter pensamentos de vingança, ele se torna capaz de nos levar a pecados mais graves. E cometeremos transgressões muito piores do que essa.
O escritor de Provérbios aconselha: “A discrição do homem o torna longânimo, e sua glória é perdoar as injúrias” (Provérbios 19:11). Em outras palavras, não devemos fazer nada enquanto nossa raiva não abaixar. Jamais devemos tomar decisões, ou desenvolver qualquer atitude estando ainda irados.
Além disso, trazemos glória para nosso Pai celestial toda vez que não dermos atenção às ofensas, e perdoarmos os pecados que cometem contra nós. Isso nos faz criar caráter. Já lemos que se reagirmos como Jesus, “o Senhor te retribuirá” (Provérbios 25:22). Quando perdoamos como Deus perdoa, Ele nos leva à uma revelação de favorecimento e de bênçãos que nunca antes conhecemos.


David Wilkerson

QUEREMOS UM REI (O IMPEACHMENT DE DEUS)

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